Eu daqui, vadiamente, sento e escrevo estes delírios. Você daí, tão vadio quanto eu, para e lê – deve haver alguma cor nisso. Espero que bem clarinha. Caio F.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Sobre a vontade

Ninguém escolhe a prisão como opção de fuga.

Muita gente tem por dentro um desejo imensurável de felicidade, mas mal sabem como conquistar tudo aquilo que tem vontade. É como se o que eu quisesse estivesse ali na mesa da cozinha só que o caminho entre meu quarto e ela fosse limitado ao ponto de não haver trajeto algum até o encontro daquele sonho. Me pergunto se basta ter vontade de felicidade para que eu receba o grande souvenir oferecido pela vida. Não é padrão das pessoas seguir o caminho tradicional com os obstáculos naturais, mas sim cortar caminho pela grama pisando nas mudas de flores ainda crescendo.

Temos o defeito de querer o que está mais prático e acessivel, mas a jornada que tal escolha nos proporciona é tão fácil que chega a me dar tristeza. Cabe a mim sair do meu quarto em direção ao que me espera no outro cômodo da casa, mas não pela porta muito menos passando pelo previsível caminho, e sim pulando a janela com grades soldadas cortando todo o território do quintal, arremessando meu corpo contra as cercas impostas a não serem ultrapassadas – pelo comodismo, é claro – até me conhecerem. Enfim chego à quina da mesa onde encontro meu pacote de sonhos ainda fechado, onde abrí-lo se torna muito menos importante do que você viveu em meio ao caminho, um mero e perceptível detalhe.

O mundo gira e eu vou junto com ele mesmo tonteando pelas tabelas. A definição de felicidade pra mim é isso, é juntar o risco de correr erroneamente pelo quintal com o aquilo que te espera logo ali na frente. É conseguir tirar lição daquilo que arde em mim, do que machuca e não fala. É ter discernimento necessário para não ter medo de cair e mesmo assim continuar, mesmo que teu sistema emocional esteja danificado pela vida. É ela, a vida, a principal responsável por essas lágrimas que eu nunca chorei terem se transformado em coragem.

Penso que cada um leva consigo não apenas a vontade de querer ser mas também o outro lado que em vezes te obriga a voltar. A partir daí a pessoa se torna vítima, mas não uma vítima qualquer, mas sim uma vítima de si mesmo. Essa sim é capaz de lhe causar um revés infinitamente indigno e você se torna o que não queria, mas de alguma forma mantém uma identificação com seu lado bandido. Esse por si só tem a capacidade de te controlar feito um boneco, simplesmente pelo fato de você ter deixado à mostra cair a lágrima quando na verdade o certo era não a ter chorado. O medo que você sente se torna aliado do bandido que há dentro de ti, e para vencê-lo basta ter força suficiente para não sangrar diante das adversidades.

Que me desculpem os estranhos, mas eu não tenho medo de sentir nada. Na verdade eu sinto é muito!

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