Me impressiona a eminente e constante capacidade que eu tenho de perder coisas. Ora é um tênis, ora uma camisa, ora um chaveiro; mas sempre eu acabo encontrando, mesmo deixando algum dia de procurar. Sempre quando estou em outra jornada totalmente alheia àquilo que um dia me arrancou sincera atenção, me vejo com algo em mãos, algo que já não tem a importância de outrora, mas que possui a sua importância no agora.
Sei que de fato as coisas que perdemos nuncam somem pra sempre, elas somem o tempo suficiente pra que possamos sentir faltar daquilo que sumiu e nos forçar a procurar. Comigo pelo menos é assim. Eu não suporto a idéia de ir ao encontro de algo e não encontrar, isso chega ao limite de me tirar a razão e entra em pleno e convicto choque com a minha convicção, e se eu fui procurar é porque eu tinha alguma coisa pra encontrar. As coisas não tem o poder de desaparecer assim do nada e muito menos criar pernas e sair andando.
Já as pessoas têm. No mesmo minuto em que você se vê na presença de uma pessoa, essa mesma pode estar em outro lugar diferente ao seu e com outro alguém. Basta ter a vontade de ir aonde quiser. Isso é o que eu chamo de passagens transitórias, aquele fluxo em que nada é marcante além de palavras ditas que formam algumas poucas frases sem nenhum tipo de sentido. Contraposto a isso, o que me chama mais a atenção e é digno de me arrancar uma porção de sorrisos são as chegadas definitivas. Assemelho isso àquele tipo de momento que você poucas vezes vive na vida, e que um dia é capaz de te fazer lembrar, seja daquele sol se pondo ou daquele dia amanhecendo. E nessa chegada vem o que é típico e único delas: elas trazem consigo pessoas dotadas de um coração tão puro e de um sorriso tão evidente capaz de te mandar pro espaço, numa viajem só de ida com duração alternada entre um “oi” e um “tchau”.
Cá estou, de carona nesse comboio invernal que começa no agora e termina no depois sem tempo exato de duração. Um momento d’ouro que eu quero aproveitar antes que eu seja acometido pela flecha do passado que vem e vai sem pedir licença. Talvez essa carona me leve aonde eu sempre quis chegar mas sequer sei como é, ou talvez eu seja deixado pelo caminho como já fora acontecido certa vez. Mas, só quero ter a certeza do encontro e tudo de mais sublime que ele pode me oferecer, para que pelo menos nesse agora eu não tenha que descrever mais uma despedida no meu currículo.
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