Eu daqui, vadiamente, sento e escrevo estes delírios. Você daí, tão vadio quanto eu, para e lê – deve haver alguma cor nisso. Espero que bem clarinha. Caio F.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Me lembra algo.

Ele gostava tanto quando ela passava as mãos nos cabelos da nuca dele, aqueles meio crespos, e dizia bobo, você não passade um menino bobo.
Ela gostava quando, depois de muito tempo calada, ele pegava no seu queixo perguntando ― o que foi, guria?
O cheiro dele era tão bom nas mãos dela quando ela ia deitar, sem ele. O cheiro dela era tão bom nas mãos dele quando ele ia deitar, sem ela.
Ela era só uma moça querendo escrever um livro e ele era só um moço querendo morar num barco, mas se realimentando um do outro para. Para que ?
Ele disse ― nunca pensei encontrar uma mulher como você .
Ela falou ― que bom encontrar você no meio de gente tão medíocre. Ele sorriu envaidecido.
Ela tinha assumido seu destino de Mulher totalmente liberada, porém profundamente incompreendida e aceitava a solidão inevitável.
Ele não queria entrar noutra história, porque doía.
Ele achava tão bom debruçar o rosto naquela curva do pescoço dela.
Falaram então sobre as paixões, os enganos, as carências e todas essas coisas que acontecem no coração da gente e tudo, e nada.
Ela falou o nome daquele homem de antes, de outros também, Bruno, Lucas, Matheus, Ricardo ― ah, os Ricardos: nenhum presta.
Toda madura repetindo ― isso passa é questão de tempo, tudo bem!
Minha voz vai querer dizer tanta coisa, que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você sem dizer nada, eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça.
Estes sábados sempre tão chatos, porra, nunca acontece nada.

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